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Stock Tokens: como ativos tradicionais estão chegando à blockchain

há 3 dias

Entenda como ações e ETFs ganham exposição onchain com os Stock Tokens

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A tokenização está aproximando dois mercados que durante muito tempo funcionaram separadamente: o mercado financeiro tradicional e o universo blockchain. Ações, ETFs e outros instrumentos financeiros podem ganhar representações digitais capazes de existir e interagir com uma infraestrutura onchain.

Um dos exemplos mais recentes dessa transformação são os Robinhood Stock Tokens, desenvolvidos como uma das principais aplicações da Robinhood Chain. Mas possuir um Stock Token é o mesmo que comprar uma ação? Como esses tokens funcionam? E o que muda quando a exposição a ativos tradicionais passa a existir dentro de uma blockchain?

Vamos explicar tudo neste guia, o segundo da nossa série sobre a Robinhood Chain.

O que são Stock Tokens?

Os Robinhood Stock Tokens são ativos digitais que oferecem exposição econômica a determinados ativos do mercado tradicional, como ações de empresas e ETFs. Eles são emitidos pela Robinhood Assets (Jersey) Limited e existem na blockchain como tokens no padrão ERC-20 — o mesmo padrão tecnológico utilizado por milhares de ativos no ecossistema Ethereum.

Cada Stock Token está relacionado a um ativo subjacente específico. Isso permite, por exemplo, criar um token cuja exposição econômica acompanha uma determinada ação negociada no mercado tradicional.

Mas existe uma diferença fundamental: comprar um Stock Token não significa se tornar proprietário da ação correspondente.

Stock Token é a mesma coisa que uma ação?

Não. Essa é provavelmente a distinção mais importante para entender esse mercado.

Segundo a documentação da Robinhood, os Stock Tokens são títulos de dívida tokenizados que fornecem exposição econômica ao ativo subjacente. O investidor, porém, não recebe direitos legais ou de propriedade sobre a empresa que emitiu a ação utilizada como referência.

Portanto, um Stock Token ligado a uma determinada empresa pode acompanhar economicamente aquele ativo, mas sua estrutura jurídica é diferente da compra direta da ação. Essa distinção também significa que os direitos associados aos produtos podem ser diferentes daqueles de um acionista tradicional.

Os Stock Tokens possuem lastro?

Segundo a Robinhood, cada Stock Token em circulação é respaldado na proporção de 1:1 pela ação correspondente, mantida por um custodiante localizado nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, juridicamente o produto continua sendo um título de dívida tokenizado emitido pela Robinhood Assets (Jersey) Limited.

Essa combinação é importante para entender o produto: existe um ativo subjacente por trás da estrutura, mas o investidor possui o Stock Token, e não diretamente a ação mantida em custódia.

Por que transformar essa exposição em um token?

É aqui que a tecnologia blockchain começa a mudar a dinâmica. Os Stock Tokens da Robinhood Chain utilizam o padrão ERC-20. Na prática, isso permite que eles sejam reconhecidos por carteiras, smart contracts e aplicações construídas utilizando padrões amplamente adotados no ecossistema Ethereum.

Em vez de a exposição ao ativo existir exclusivamente dentro da base de dados de uma instituição financeira, o token pode existir onchain. Os Stock Tokens podem ser mantidos em carteiras compatíveis e transferidos na blockchain, observadas as regras e restrições aplicáveis.

Mas a possibilidade mais interessante aparece quando esses tokens começam a interagir com outras aplicações.

De um ativo isolado para um ativo programável

Imagine uma ação mantida em uma corretora tradicional. Ela está registrada dentro da infraestrutura daquela instituição e pode ser comprada, vendida ou transferida seguindo as regras e os sistemas disponíveis naquele ambiente. Agora imagine uma exposição econômica a esse ativo representada por um token compatível com smart contracts. Esse token pode, tecnicamente, ser integrado a diferentes aplicações financeiras.

É o que chamamos de composabilidade: ativos e protocolos construídos em blockchain podem interagir entre si. A própria documentação da Robinhood apresenta algumas possibilidades para os Stock Tokens, como negociação onchain, integração com carteiras e plataformas de acompanhamento de portfólio, mercados de empréstimos, utilização como garantia e produtos financeiros estruturados.

Isso não significa que todas essas funcionalidades estejam disponíveis para todos os Stock Tokens ou em qualquer lugar. Algumas são possibilidades que desenvolvedores podem construir utilizando a infraestrutura da Robinhood Chain. Mas é justamente aí que está uma das grandes diferenças em relação à infraestrutura financeira tradicional.

E os preços das ações?

Para que aplicações blockchain utilizem ativos ligados ao mercado tradicional, elas precisam saber quanto esses ativos valem. A Robinhood Chain utiliza price feeds da Chainlink para disponibilizar preços dos Stock Tokens diretamente onchain.

Um price feed funciona como uma fonte de dados que permite aos smart contracts consultar informações de preço. Isso é especialmente importante para aplicações financeiras. Imagine, por exemplo, um protocolo de empréstimos que aceite determinado ativo como garantia. Para calcular quanto pode ser emprestado e quando uma posição precisa ser liquidada, o protocolo precisa conhecer o valor daquele ativo.

É essa conexão entre dados do mundo real e smart contracts que permite criar aplicações financeiras mais sofisticadas.

E dividendos e desdobramentos de ações?

Ativos tradicionais também passam por eventos corporativos. Empresas podem distribuir dividendos, realizar desdobramentos de ações, alterar tickers ou passar por fusões e outras operações. Por isso, simplesmente colocar um token na blockchain não seria suficiente.

A infraestrutura dos Stock Tokens possui mecanismos para refletir determinados eventos corporativos. No caso de dividendos e stock splits, por exemplo, a Robinhood utiliza um multiplicador registrado onchain para ajustar a relação entre o token e o ativo subjacente. Isso permite que a representação econômica do Stock Token seja ajustada quando determinados eventos acontecem com o ativo de referência.

Stock Tokens podem ser negociados 24 horas por dia?

A infraestrutura blockchain funciona continuamente, mas isso não significa que todos os processos relacionados aos Stock Tokens funcionem da mesma maneira durante 24 horas por dia, sete dias por semana.

A própria documentação da Robinhood diferencia as janelas em que novos Stock Tokens podem ser emitidos ou resgatados das condições de negociação de cada ativo. Além disso, ações tradicionais continuam possuindo seus próprios horários de mercado e podem passar por interrupções de negociação.

Portanto, é importante não confundir um token disponível onchain 24/7 com a ideia de que todos os mecanismos relacionados ao ativo subjacente funcionam sem interrupção.

Onde entra a Robinhood Chain?

Os Stock Tokens são uma das principais aplicações para as quais a Robinhood Chain foi desenvolvida. A Robinhood Chain é uma blockchain Layer 2 construída sobre Ethereum utilizando tecnologia da Arbitrum e otimizada para ativos do mundo real tokenizados, os chamados RWAs.

Sua proposta é criar uma infraestrutura onde diferentes tipos de ativos possam coexistir com stablecoins e aplicações DeFi. Já explicamos em detalhes como essa rede funciona em nosso Guia da Robinhood Chain.

Os Stock Tokens ajudam a mostrar por que essa infraestrutura pode ser relevante. Em vez de blockchain servir apenas para BTC, ETH ou stablecoins, ela começa a ser utilizada também como infraestrutura para exposição a ativos tradicionalmente encontrados no mercado de capitais.

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Stock Tokens fazem parte de um movimento maior: os RWAs

Stock Tokens são apenas uma categoria dentro de um movimento muito maior. RWA significa Real-World Asset, ou ativo do mundo real, e o conceito engloba diferentes formas de trazer ativos e instrumentos financeiros tradicionais para uma infraestrutura blockchain.

Além de ações e ETFs, a tokenização pode envolver títulos de dívida, fundos, crédito, commodities, imóveis e outras classes de ativos. A ideia central é transformar determinados direitos ou exposições econômicas em tokens capazes de interagir com infraestrutura onchain.

Isso pode aproximar mercados que historicamente utilizam sistemas completamente diferentes.

O que muda quando RWAs encontram o DeFi?

Essa talvez seja a parte mais interessante dessa transformação. De um lado, temos ativos relacionados ao mercado financeiro tradicional. Do outro, temos protocolos descentralizados capazes de executar negociações, empréstimos e outras operações por meio de smart contracts.

Quando esses dois universos começam a utilizar uma infraestrutura compatível, surgem novas possibilidades. Um ativo tokenizado pode, por exemplo, ser negociado em uma aplicação descentralizada ou utilizado como garantia em determinados mercados de crédito, desde que exista suporte para aquele ativo e que as regras regulatórias e do protocolo permitam a operação.

Isso transforma blockchain de uma infraestrutura utilizada principalmente para criptoativos em uma possível camada tecnológica para um universo financeiro muito mais amplo. Vamos aprofundar justamente essa relação entre RWAs e DeFi no próximo artigo desta série.

Quais são os riscos?

A tokenização não elimina os riscos do mercado financeiro e pode adicionar novas camadas. Um Stock Token continua exposto às oscilações do ativo utilizado como referência. Se a ação perder valor, sua exposição econômica também pode ser afetada.

Além disso, existem riscos relacionados ao emissor do token, ao custodiante dos ativos subjacentes, à própria blockchain, aos smart contracts e aos protocolos utilizados. Também existem questões regulatórias.

Os Stock Tokens possuem restrições de distribuição em determinadas jurisdições e não estão disponíveis para todos os investidores. Entre as regiões atualmente sujeitas a restrições estão Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Suíça. Por isso, disponibilidade onchain não significa disponibilidade irrestrita em qualquer país.

A tokenização está tornando o mercado financeiro mais programável

Durante décadas, a digitalização do mercado financeiro significou principalmente transformar documentos e operações físicas em sistemas eletrônicos. A tokenização representa uma etapa diferente: ela permite que ativos financeiros passem a existir dentro de uma infraestrutura na qual carteiras, tokens, dados e aplicações podem interagir através de smart contracts.

Os Stock Tokens da Robinhood Chain são um exemplo dessa transformação. Eles não substituem juridicamente a propriedade direta de uma ação, mas mostram como a exposição econômica a ativos tradicionais pode ganhar uma nova forma dentro da blockchain.